As discussões acerca da formação médica em bacharelado em medicina estão de volta

Meus caros,

Parece que as discussões acerca da formação médica em bacharelado em medicina estão de volta. Estão acontecendo algumas discussões e especulações sobre o último edital de vestibular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, cujo edital complementar está disponível neste link: http://www.ufcspa.edu.br/vestibular/2010/docs/editalcomplementar.pdf

De acordo com esta resolução, o curso oferecido por esta IES é Medicina – bacharelado. Diferentemente do curso de Medicina – titulação específica, com o grau de Médico, titulação esta própria dos médicos, batalhada e garantida pelos acadêmicos de medicina gaúchos após manifestação nas ruas em 2008.

Neste contexto, a situação complicou ao notarmos a resolução do MEC quanto às formações de curso superior (fonte – MEC):

Cursos de Graduação e Diplomas

São os mais tradicionais e conferem diploma com o grau de Bacharel (ex.: Bacharel em Física), Licenciado (ex.: Licenciado em Letras), Tecnólogo (ex.: Tecnólogo em Hotelaria) ou título específico referente à profissão (ex: Médico). O grau de Bacharel ou o título específico referente à profissão habilitam o portador a exercer uma profissão de nível superior; o de Licenciado habilita o portador para o magistério no ensino fundamental e médio.

É possível obter o diploma de Bacharel e o de Licenciado cumprindo os currículos específicos de cada uma destas modalidades. Além das disciplinas de conteúdo da área de formação, a licenciatura requer também disciplinas pedagógicas e 300 horas de prática de ensino. Os cursos de graduação podem oferecer uma ou mais habilitações.

Ou seja, sempre existiram titulações específicas e estas são reconhecidas pelo MEC, diferente da arcaica divisão bacharelado/licenciatura. Este quadro é preocupante, uma vez que a diplomação de “bacharel em medicina” pode voltar. Principalmente em um contexto iatrofóbico favorável, como podemos perceber em movimentos contra o ato médico, por exemplo. A partir disso, as instituições de ensino devem se posicionar logo.

Dar ao médico a sua formação de direito (grau específico da profissão: MÉDICO), não é discriminar, muito menos colocar os acadêmicos de medicina em um pedestal; é firmar a importância do médico na sociedade e nos sistemas de saúde, e dos acadêmicos de medicina nas universidades. Que fique clara que a formação “bacharel em medicina” é equivalente a formação de “biomédico” em muitos lugares, impedindo o trabalho no exterior, por exemplo; é uma formação equívoca, que desmerece a classe médica e prejudicará os futuros médicos.

Uma das várias perguntas que devemos fazer é o que realmente está por trás deste “bacharelado em medicina” (por retornar desta forma) e quem realmente se beneficiará com esta resolução, uma vez que não é o estudante de medicina.

Aguardo o retorno dos colegas acadêmicos, nas suas devidas faculdades, sobre como está o edital do seu vestibular e como está apresentada a denominação do curso de medicina. Está aberto o espaço para discussão e para trocarmos idéias.

Abaixo links das IES e do MEC denominando “bacharelado em medicina” nos cursos gaúchos, na USP e na UFRJ. Precisamos exigir respostas já.

Atenciosamente,

Marcos Vinícius Ambrosini Mendonça

Acadêmico de Medicina da UFCSPA – 9º semestre

Núcleo Acadêmico SIMERS

4 comentários para “As discussões acerca da formação médica em bacharelado em medicina estão de volta”

  1. Mariana Fuzinatto Molin disse:

    Olá Marcos,
    meu nome é Mariana sou vice-presidente do centro academico de medicina da unoesc em joaçaba, estou entrando em contato para humildimente pedir auxílio em nossa luta contra algumas parcialidade de nossa universidade, cujos projetos desqualifica e degrine a imagem do academico de medicina e da classe médica.
    1. Emissão do diploma de bacharelado em medicina
    2. Aumento do número de vagas no vestibular de medicina, para a região de Joaçaba, que NÃO COMPORTA NEM OS 25 ACADEMICOS QUE ENTRAM SEMESTRALMENTE!

    Contamos com o apoio da coordedaroda do curso a Dra.Jussara Quadros, com o conselheiro do CRM o Dr.Élcio Bonamigo, além do apoio de toda classe médica regional e dos cademicos do curso. Assim queria uma parcialidade de vocês para poder nos guiar e auxiliar, com materiais que possam nos ser úteis, informações e formulações autoritárias, atualizações do MEC, além de toda experiência que você tem.

    Agradeço desde já a atenção e aguardo ansiosamente o retorno, pois estamos incorformaveis com esta situação.

    Atenciosamente,

    Mariana Fuzinatto Molin

  2. Mariana Fuzinatto Molin disse:

    Prezados leitores:
    Recentemente, em listas das discussões e em outros meios, surgiu certa polêmica em torno de uma denúncia vinculada á nossa universidade (Unoesc), sobre a emissão de Diplomas de Bacharel em Medicina e o aumento do número de vagas.

    Neste sentido, quero esclarecer os comentários realizados na sessão anterior:
    1- Conforme conversa com nosso Magnífico Reitor o Prof. Aristides Cimadon, no dia 14/06/2010 informo, a Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) não emitirá mais Diplomas para o Curso de Medicina com a denominação de “Bacharel em Medicina”, como reivindicado anteriormente.
    Aparentemente o equívoco surgiu, após Portaria do MEC*, que reconheceu diversos cursos, entre eles alguns de Medicina, na qual se especificava, após a denominação do curso, o grau a ser obtido, da seguinte forma:
    “Odontologia, bacharelado”; “Psicologia, bacharelado”; “Física, licenciatura” e “Medicina, bacharelado”. Essa Portaria não tem caráter normativo e só tem repercussão sobre os cursos diretamente referidos no seu texto.
    Fica claro, portanto, eu o MEC não disciplinou que os diplomas de graduação em Medicina passem a ser expedidos como de “Bacharel em Medicina”. A inclusão do termo “bacharel” após o nome do curso tem a função apenas de explicitar o grau, sem modificar em nada os procedimentos de expedição de diplomas pelas instituições.
    O parecer aprovado em 07/06/2010 pelo CREMESC, deixa claro: “Obra contra si a universidade que, almejando qualificação, ofereça curso de medicina que não gradua médico!”.

    2- Em respeito ao aumento no número de vagas, novamente conforme conversa com nosso Magnífico Reitor o Prof. Aristides Cimadon, no dia 14/06/2010 informo, será realizada a inclusão de cinco novas vagas, gerando um total de 30 acadêmicos por turma. Contudo o mesmo explicou: O Curso de Medicina sofre grandes investimentos por parte da Universidade, podendo assim aumentar sua capacidade.
    (*) Portaria 251 de 16 de junho de 2006.

    Nota: Fico muito feliz em observar as discussões geradas, são injúrias como estas, que redesenham e reacendem o espírito democrático, assim relembramos a todos que os Acadêmicos de Medicina, se empenham em buscar cada vez mais qualificação e capacitação, aonde coragem não faltará para lutar sem temor de qualquer consequência, estaremos aonde for preciso para cumprir nossa própria obrigação e enfrentar as determinações que acharmos impróprias.

    Atenciosamente,
    Mariana Fuzinatto Molin

  3. LeliaWiley disse:

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  4. thiago disse:

    Olá à todos. Pelo amor de Deus! Parem com essa mesquinharia… vocês que fazem bacharelado em medicina, são o quê? Doutores? Médicos? Claro que não! São como todos os outros, não é diferente para advogados, físicos, químicos etc. Quem faz bacharelado é bacharel!

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